segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

FLERTE IRRESISTÍVEL


CAPÍTULO I
Sandra permaneceu imóvel e em silêncio, chocada pelo tom autoritário na voz estridente de Charlotte. Preferiria estar em qualquer outro lugar a ter de passar por tão desconcertante situação. Não acreditava e também não concordava com feminismo radical. Mas, na verdade, naquele exato momento, Sandra se contentaria em desviar o olhar e observar a decoração do saguão ou a estátua de cobre, que enfeitava o hall dos elevadores.
Ficaria feliz se conseguisse se virar para qualquer lado, desde que pudesse deixar de encarar o homem de ombros largos, que ouvia em silêncio o ataque verbal de Charlotte. Alto e atlético, possuía profundos olhos negros que pareciam acusá-la pelo que estava acontecendo. "Por que está olhando para mim?", pensou Sandra, furiosa consigo mesma por não conseguir deixar de encará-lo nem proclamar em voz alta sua inocência. Não era ela, mas sim Charlotte, quem tinha tomado por ofensa a despretensiosa e educada atitude de segurar a porta do elevador aberta, para que as duas saíssem. Todo aquele discurso sobre dominação masculina parecia algo insano aos ouvidos de Sandra. "Porque não olha para Charlotte?", pensou, irritada. "Ela é a feminista! Eu não disse uma palavra sequer. E não o faria... mesmo que quisesse." Além de ombros muito largos, o homem tinha os olhos mais escuros que ela já vira. Eram tão escuros e brilhantes quanto os fartos cabelos negros, que traziam um leve tom grisalho nas laterais, atribuindo-lhe um charme adicional. Aqueles olhos pareciam fitá-la com insistência acusadora. Como se agisse com o propósito de deixá-la ainda mais embaraçada, o homem a fitou da cabeça aos pés, avaliando-a. Entretanto, a expressão no rosto dele continuava ilegível quando voltou a encará-la. Sandra tinha a sensação de que aquele olhar intenso poderia fulminá-la.



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