sexta-feira, 25 de março de 2016

HORAS ÍNTIMAS

LIVRO

Horas Íntimas
Flora Kidd
Personal Affair
Coleção Julia Especial, nº 2
Editora Abril , 1981
Assunto Dominadores e possessivos

CAPÍTULO I

A noite estava calma e escura. No velho chalé de madeira, Margret via da janela de seu quarto o nevoeiro que se aproximava. Vinha do mar aberto e se espalhava pelo estreito canal que separava a Ponta do Lindley da Ilha do Porco. Também não se ouviam os ruídos habituais da noite.
De repente escutou um barulho distante, que parecia o de um motor, vindo do mar. Mas essa não era uma noite própria para se entrar pelo canal, que era cheio de rochedos. Depois tudo ficou em silêncio. Reparou que já era uma e quinze da madrugada. Deu corda no despertador, afofou o travesseiro, deitou-se e apagou a luz de cabeceira.
Imediatamente tornou a ouvir o barulho, e agora podia reconhecer que era mesmo o de um motor de uma embarcação.
Voltou a espiar pela janela, na direção de onde vinha o ruído. O som do motor, que era bem alto, lentamente começou a diminuir de intensidade, indicando que iria parar. A moça se esforçava por enxergar através do nevoeiro e conseguiu distinguir duas luzinhas, uma verde e outra vermelha, provavelmente as luzes de navegação do barco. O motor foi desligado e tudo ficou silencioso outra vez. As luzinhas se apagaram e uma claridade mais difusa apareceu no que devia ser a janela de uma cabina. Mas acabou desaparecendo quando a neblina ficou mais espessa.
Margret sentiu frio por causa do ar úmido que entrava pela janela e acabou voltando para a cama. Mas não conseguiu dormir, pois estava preocupada com o barco ancorado ali no canal. Os caseiros haviam dito que poucas embarcações aportavam ali, porque a entrada do canal era muito perigosa. Isso demonstrava que quem havia entrado à noite, daquele jeito, devia conhecer muito bem o lugar. Ma por que escolhera justamente aquela hora? Margret começou a lembrar-se de todas as histórias que havia escutado sobre o desembarque de drogas naquela região. Não conseguiu se acalmar e voltou à janela.
Sentiu o sangue gelar nas veias ao enxergar uma luz na praia em frente. Alguém andava por ali, segurando uma lanterna. Certamente viera num bote e agora se aproximava da casa. Margret se apavorou, pois, além dela e das crianças, Heather e Jamie, e dos caseiros, não havia mais ninguém na casa. Resolveu descer a escada até o hall de entrada. Passou a tranca na porta da frente. Não seria nada bom se a casa fosse assaltada enquanto ela estivesse tomando conta, pois ali existiam muitas peças antigas e valiosas.
Ia atravessando a sala, para trancar também a porta dos fundos, quando escutou um ruído na cozinha. Ficou imóvel, no escuro, prendendo a respiração e prestando atenção. Ouviu quando alguém abriu a janela, que ela havia deixado entreaberta. E depois o barulho de uma pessoa pulando para dentro do aposento. Repentinamente a cozinha se iluminou e a,porta da geladeira foi aberta. Margret soltou a respiração, reuniu toda a sua coragem e perguntou:

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