segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

O SHEIK DO OASIS NEGRO



O Sheik do Oasis Negro
Margaret Pargeter
The Dark Oasis
Coleção Julia Especial, nº 2
Editora Abril , 1980
Assunto Sheiks
CAPÍTULO I


Cristine Martin passou um dia inteiro em Casablanca esperando alguma forma de conhecer Alain d'Estier e isso não aconteceu. Somente na manhã seguinte foi que a secretária dele apareceu dizendo que tinha conseguido entrar em contato com o patrão e que ele desejava se encontrar com a srta. Martin.
- Obrigada - respondeu Cristine com polidez. - Mas onde encontrarei o Sr. d'Estier? - perguntou, não querendo prolongar a conversa.
- Imagino que ele seja um homem bastante ocupado, mas gostaria que não me deixasse esperando por muito tempo.
- Não, é claro que não. Mas a senhorita terá que se dirigir a seu ksar, pois ele não poderá vir vê-Ia em Casa!
- Casa?
- Desculpe senhorita. Eu quis dizer Casablanca.
- Compreendo - disse Cristine, novamente sentindo-se uma tola e virando-se rapidamente para que a secretária não notasse suas faces coradas. - Como chegarei lá? Não tenho a mínima idéia de onde mora o Sr. d'Estier.
- Ele possui várias casas. No momento, encontra-se em seu castelo no Atlas Maior e, se desejar partir imediatamente para Marrakesh, posso conseguir-lhe condução até o aeroporto.

Cristine ficou indecisa. Não sabia se estava preparada para aquele tipo de coisa. A Sra. Martin, sua patroa, que possuía o mesmo sobrenome, garantira-lhe' que não precisaria sair de Casablanca.
A secretária, achando que Cristine já concordara, começou a traçar os planos para sua partida, dizendo que um táxi viria apanhá-la imediatamente.
Quando ela murmurou um agradecimento, a mulher respondeu secamente:
- A senhorita não deve deixar o Sr. Alain d'Estier esperando. Ele é muito ocupado e não gosta de perder tempo.
- Não tenho intenção de fazer isso - respondeu Cristine, cheia de indignação.
- Então está tudo certo, senhorita. - disse a secretária e retirou se, sem dar tempo para qualquer resposta.
Cristine olhou para seu elegante quarto de hotel. Era uma tolice supor que os quartos do primitivo castelo de Alain d'Estier fossem tão confortáveis como aqueles dos ótimos hotéis da Avenue des Forces Armées Royales. Mas como, provavelmente, d'Estier não a convidaria para ficar, ela poderia estar de volta naquela mesma noite. Certamente ele não desejaria prolongar uma entrevista com uma garota que pensava
ser a irmã do homem que fugira com sua noiva!
Começou a ajeitar alguns objetos de toalete dentro de uma grande bolsa a tiracolo. Deixaria as roupas no hotel. Não trouxera muita coisa, pois não esperava passar mais que alguns dias no Marrocos. Ficaria apenas o suficiente para desculpar-se pessoalmente com Alain d'Estier pelo comportamento de Colin. A Sra. Martin fora demasiado insistente. Achava que somente a presença de Cristine poderia resolver toda aquela situação!
Uma hora mais tarde, sentada no avião que a levava a Marrakesh, ela sentiu sua ansiedade crescer. Tentara entrar em contato com a Sra. Martin para lhe pedir conselhos, mas não conseguira. No último momento, quase perdera a coragem. Mas, ao ver que a telefonista não obtinha qualquer resposta de Londres, resolvera seguir em frente, e, reunindo toda a sua coragem, subira no avião, numa última tentativa de ver Alain d'Estier.
Imaginou, cheia de desespero, por que Colin Martin tinha decidido fugir com a noiva do homem que, aparentemente, detinha a sorte dos Martins em suas mãos.
Na verdade, Cristine vira Colin Martin poucas vezes desde que fora trabalhar para a mãe dele, mas sabia que esta sempre se enfurecia com as confusões que o filho arrumava. A última, então, ultrapassara todos os limites! A ponto de fazer Cristine pensar que fora o maior erro de sua vida o fato de ter se envolvido com aquela família!
Para se distrair, deixou que seus pensamentos voltassem ao passado. Ficara órfã muito cedo, mas seu pai deixara dinheiro suficiente para que ela fosse educada em um internato. A Sra. Martin ficara sabendo de tudo, pois mantinha contato permanente com o colégio em que sua própria filha, que também se chamava Cristine, fora educada.
A filha da Sra. Martin, quase dez anos mais velha que Cristine, saíra do internato antes que esta entrasse. Assim, não se conheceram. Mas, quando ela se casou no México, contra a vontade da mãe, imediatamente a Sra. Martin propôs a Cristine que fosse morar em sua casa.

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