segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

PRISIONEIROS DA PAIXÃO



Prisioneiros da paixão
Lynsey Stevens
The Ashby Affair
Coleção Julia Edição de Férias, nº 7
Editora Abril , 1983
Assunto Romance impossível

Todo mundo sabia sobre o caso Ashby
Christine tinha crescido ouvindo os detalhes sórdidos.
Agora Dylan Ashby estava de volta, depois de treze anos, e ela ficou horrorizada ao descobrir a força de sua paixão por ele. Que tipo de mulher era ela para querer fazer amor com esse homem?
Isto tem que acabar, ela disse a si mesma. Nada mais que dor poderia vir dele. Ela tinha que se lembrar quem ele era. E lembrar-se do que ele tinha feito.


Era loucura demais está ali no jardim com Dylan, o homem que arruinara sua família. Logo todos saberiam que ela, Christine Vaughan estava se deixando enfeitiçar pelo homem que estava tendo um caso com sua madrasta

CAPÍTULO I



O carro cinza, último tipo, que vinha cortando a estrada estreita em altíssima velocidade, começou a diminuir a marcha. O motorista, um jovem bronzeado de sol, com uma barba cerrada emoldurando o rosto, recostou-se melhor ao banco, tentando relaxar os músculos cansados.
Tinha sido uma viagem longa; quase setecentos quilômetros desde a cidade de Adelaide. Havia passado pelo golfo de Spencer e acompanhara a costa, formada de dunas de areia. Estava na região centro-sul da Austrália, na península de Eyre, que não era especialmente um lugar bonito, com seu vento quente e seco e sua terra pouco fértil, devido à raridade das chuvas. As cores predominantes na paisagem iam do vermelho-ferrugem ao bege, com manchas escuras de árvores secas ou rochas. Mas o céu era sempre incrivelmente azul, sem uma nuvem.
"Essa é a Austrália selvagem", pensou ele. "Não é exatamente a terra prometida..." Mas era a sua terra, carregada de significados e de lembranças que nunca o tinham abandonado...
Após passar pelo aeroporto, entrara em North Shields. Agora faltavam apenas vinte quilômetros, portanto, não precisava mais correr... Através dos óculos escuros, foi olhando a paisagem, tão familiar.
Tudo lhe parecia igual, como se não tivessem se passado treze anos desde que se fora dali... Um sorriso começou a iluminar seu rosto, à medida que as recordações chegavam com mais força. "O filho pródigo está de volta...", pensou, com um pouco de ironia. "Como o tempo voa..."
Avistou finalmente a baía, com suas águas azuis profundas. Foi parando. Queria descer e sentir no rosto o vento do mar.
Encostou-se ao carro e olhou, emocionado, aquela baía três vezes maior que o famoso porto de Sídnei, protegida do mar do Sul pela ilha de Boston, de seis quilômetros e meio de comprimento. Até de olhos fechados saberia descrever cada detalhe, cada pedra, cada pedacinho daquela costa. Ali era seu lar, onde havia deixado seu coração há treze anos. Melhor seria dizer, onde deixara os pedaços de seu coração. Uma sombra de ironia turvou seu rosto. De súbito, soltou uma gargalhada.
— Coração?! Mas como, se você nunca teve coração? — disse alto, como se falasse com alguém... Num gesto brusco, deu as costas à paisagem e entrou no carro. Deu a partida e logo estava passando por uma placa que lhe dava as boas-vindas a Port Lincoln, cidade de Tunarama.


— Para onde está indo? — soou a voz da cunhada, do terraço de cima.
Christine parou, sorrindo.
— Vou dar um passeio até a praia e volto logo. Estava arrumando a casa e agora quero tomar um pouco de ar. Quer vir também?
— Não, obrigada. Vou ficar aqui com os meus pés para cima. — Joanne passou a mão pelo ventre em adiantado estado de gravidez: — Tenho uma boa desculpa. O médico mandou descansar até que o bebê nasça.
Christine ficou séria:
— Não há nenhum problema grave, não é? Você está bem?
— Sim, estou bem. Não se preocupe, querida. Ray já faz isso por nós três.
— Você tem certeza de que está tudo bem mesmo?
— Tenho certeza, sim. O único problema é que me canso facilmente. Essas últimas semanas vão se arrastar... Por que não leva o Lobinho com você?

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